Geração de Postura já ouviu falar nisso?

Também chamada de propaganda, é uma atividade humana tão antiga quanto os registros de que algo acontece ou aconteceu.

 

A inscrição de Behistun (c. 515 a.C.), detalhando a ascensão de Dario I ao trono persa, é vista pela maioria dos historiadores como um dos primeiros exemplos de propaganda. O Artaxastra escrito por Chanakya (c. 350-283 a.C.), um professor de ciência políticana Universidade de Taxasila e um primeiro-ministro da Império Máuria na Índia antiga, discute propaganda em detalhes, tais como a forma de divulgá-la e como aplicá-la na guerra. O seu aluno Chandragupta Máuria (c. 340-293 a.C.), fundador do Império Máuria, empregou esses métodos durante sua ascensão ao poder.

 

Há várias técnicas que são utilizadas para criar mensagens que sejam persuasivas, sejam verdadeiras ou falsas. Muitas dessas técnicas podem ser baseadas em falácias, já que os publicitários usam argumentos que, embora às vezes convincentes, não são necessariamente válidos. Há vários pesquisadores envolvidos na classificação de como as mensagens de propaganda são transmitidas, mas é claro que estratégias de disseminação da informação só se tornam estratégias de propaganda quando associadas a mensagens que modificam comportamentos, idéias ou sentimentos. Identificar as mensagens de propaganda é um pré-requisito para estudar os métodos utilizados para divulgação destas mensagens. Abaixo, algumas das técnicas de propaganda (ou de “geração de posturas”):

 

Argumentum ad nauseam. Repetição incansável (ou repetição até cansar). Baseia-se na ideia de que “uma ideia repetida suficientemente se torna verdade”. Esta técnica funciona melhor quando o acesso a mídia é controlado pelo publicitário.

 

Argumentum ad ignorantiam. Conhecido também como apelo à ignorância, é uma falácia lógica que tenta provar que algo é falso a partir de uma ignorância anterior sobre o assunto. É um tipo de falso dilema, já que assume que, ou todas as premissas são verdadeiras ou todas elas serão falsas.

 

Apelo à autoridade. É a citação a uma figura proeminente que declara apoiar um posicionamento, ideia argumento ou alguma ação em desenvolvimento.

 

Apelo ao medo. é a busca de apoio a uma ideia ou causa ou pessoa, instigando o medo no público-alvo da mensagem. Por exemplo, Joseph Goebbels explorou o livro Os Alemães devem Morrer, de Theodore Kaufman, para afirmar que os Aliados procuravam o extermínio do povo alemão e, com isso, obter o apoio do povo.

 

Bode expiatório. Atribuir culpa a um indivíduo ou grupo que não seja efetivamente ou necessariamente responsável, aliviando sentimentos de culpa de partes responsáveis ou desviando a atenção da necessidade de resolver um problema, cuja culpa foi atribuída àquele que está emitindo a propaganda.

 

Desaprovação. Essa é a técnica usada para desaprovar uma ação ou ideia sugerindo que ela é popular ou assumida em grupos odiados, ameaçadores ou que estejam em conflito com o público-alvo. Assim, se um grupo que apoia uma ideia é levado a crer que pessoas indesejáveis, subversivas ou em conflito também a apoiam, os membros do grupo podem decidir mudar sua posição.

 

Efeito dominó. Efeito dominó e vitória inevitável: tenta convencer a audiência/público a colaborar com uma ação “com a qual todos estão colaborando” (“junte-se a nós”). Essa técnica reforça o desejo natural das pessoas de estar no lado vitorioso e visa a convencer a audiência que um programa é a expressão de um movimento de massa irresistível e que é de seu interesse se juntar a ele. A “vitória inevitável” incita aqueles que ainda não aderiram a um projeto a fazê-lo, pois a vitória é certa. Os que já aderiram se sentem confortados com a ideia de que tomaram a decisão correta e apropriada.

 

Estereotipificação ou Rotulagem. Essa técnica busca provocar a rejeição em uma audiência rotulando o objeto da campanha de propaganda como algo que o público-alvo teme, desgosta, tem aversão ou considera indesejável.

 

Homem comum. O “homem do povo” ou “homem comum” é uma tentativa de convencer a audiência de que as posições do publicitário refletem o senso comum das pessoas. É utilizada para obter a confiança do público comunicando-se da maneira comum e no estilo da audiência. Publicitários usam a linguagem e modos comuns (e até as roupas, quando em comunicações audiovisuais presenciais) numa busca de identificar seus pontos de vista com aqueles da “pessoa média”.

 

Palavras Virtuosas. São palavras tiradas do sistema de valores do público-alvo, que tendem a produzir uma imagem positiva quando associadas a uma pessoa ou causa. Exemplos são paz, felicidade, segurança, liderança, liberdade, etc.

 

Propaganda Enganosa. São meios de oferecer o que não se tem, forçando o comprador, ou consumidor a comprar outro produto, a ideia é chamar a atenção e aumentar as vendas, mesmo que uma parcela mínima desista de comprar ou a repulsar a empresa.

 

Racionalização. Indivíduos ou grupos podem usar afirmações genéricas favoráveis para racionalizar e justificar atos e crenças questionáveis. Frases genéricas e agradáveis são frequentemente usadas para justificar essas ações ou crenças.

 

Slogan. Um slogan é uma frase curta e impactante que pode incluir rotulação e estereotipação. Se slogans podem ser criados a respeito de determinada idéia devem sê-lo pois bons slogans são idéias auto-perpetuáveis.

 

Super-simplificação. Afirmações vagas, favoráveis, são usadas para prover respostas simples para complexos problemas sociais, políticos, econômicos ou militares.

 

Termos de Efeito. Termos de efeito são palavras de intenso apelo emocional tão intimamente associadas a conceitos e crenças muito valorizados que convencem sem a necessidade de informação ou razões que as apoiem. Elas apelam para emoções como o amor à pátria, lar, desejo de paz, liberdade, glória, honra, etc. Solicitam o apoio sem o exame da razão. Embora as palavras e frases sejam vagas e sugiram coisas diferentes para pessoas diferentes, sua conotação é sempre favorável: “Os conceitos e programas dos publicitários são sempre bons, desejáveis e virtuosos”.

 

Testemunho. Testemunhos são citações, dentro ou fora de contexto, efetuadas especialmente para apoiar ou rejeitar uma ideia, ação, programa ou personalidade. Explora-se a reputação ou papel (especialista, figura pública respeitada, etc.) daquele que é citado. O testemunho dá uma sanção oficial de uma pessoa ou autoridade respeitada à mensagem de propaganda. Isso é feito num esforço de causar no público-alvo uma identificação com a autoridade ou para que aceite a opinião da autoridade como sua própria.

 

Transferência. Essa é a técnica de projetar qualidades positivas ou negativas (elogios ou censuras) de uma pessoa, entidade, objetivo ou valor (de um indivíduo, grupo, organização, nação, raça, etc.) para outro, para tornar esse segundo mais aceitável ou desacreditá-lo. Essa técnica é geralmente usada para transferir culpa de um parte em conflito para outra. Ela evoca uma resposta emocional, que estimula o público-alvo a identificar-se com autoridades reconhecidas.

 

Vaguidade intencional. Afirmações deliberadamente vagas de tal forma que a audiência pode interpretá-las livremente. A intenção é mobilizar a audiência pelo uso de frases indefinidas, sem que se analise sua validade ou determine sua razoabilidade ou aplicação. Ver também duplo sentido, esforço de informação, falsas memórias , meme.

 

Embora saber que somos persuadidos por técnicas metódicas de convencimento por todos que nos cercam nos deixem muitas vezes nervosos ou indignados. É importante que você entenda que sistematicamente nosso discurso é formado assim, desde o jardim de infância com coleguinhas até o discurso ideológico de um político, você convence ou é convencido, muitas vezes por falácias. Então não se ofenda se notou parte desses tipos de discursos em seu líder religiosos, chefe ou em seu relacionamento. Convencer é a natureza do indivíduo, discursos servem para vender, para mudar para transformar!